Assistindo a Doctor Who

Já faz um tempo que assinei o streaming da BritBox, que contém quase tudo da BBC e da iTV. É um streaming bem eficiente, particularmente se considerarmos que a BBC, que aderiu ao Brexit com força, foco e fé, simplesmente não aceita que ninguém de fora do Reino Unido assine seu streaming oficial. A BritBox britânica, aliás, fechou há alguns meses, restando apenas a americana, que é a que eu assino. Mas eu nem teria assinado o canal da terra do rei, porque por incrível que pareça eles não tinham o que eu estava procurando: a série clássica de Doctor Who.

Para quem não sabe: a série britânica do alienígena viajante do tempo e do espaço, que completou 60 anos em 2023, é dividida agora oficialmente em três séries: a chamada Clássica, que vai desde a criação do programa de TV em 1963 a 1989, a nova, que durou de 2005 a 2022, e a novíssima, produzida em parceria com a Disney +, e que acaba de fechar sua primeira temporada. Eu já havia assistido a quase todos os episódios da nova; não vi todos os de Peter Capaldi e Jodie Whittaker e não sei quando verei porque eles não estão mais disponíveis em nenhum streaming nacional ou estrangeiro, com a exceção do BBC iPlayer.

Mas agora, graças à BritBox, estou matando uma vontade de anos e assistindo aos episódios clássicos, desde o começo.

Infelizmente o começo é um tanto atribulado: dos quase 900 episódios da série inteira, faltam 97, que foram apagados dos arquivos da BBC nos anos 1960 (naquele tempo o armazenamento era em fitas magnéticas, não existia ainda o arquivamento digital). Esses episódios são todos dos primeiros dois doutores, período de 1963 a 1969. E hoje cedo cheguei ao fim dos episódios do Segundo Doutor (Patrick Troughton).

Por conta da confusão dos episódios inexistentes, a quantidade de saltos na cronologia é muito grande, e isso me incomoda profundamente (mente autista, relevem). Vi pouca coisa do Primeiro Doutor (William Hartnell) e um pouco mais do Segundo. A série foi melhorando ao longo desses seis primeiros anos, e o último serial do Segundo Doutor, The War Games, é bem acima da média dos episódios anteriores. O roteiro, escrito por Terrance Dicks (que viria a se tornar um dos mais importantes autores da série, inclusive escrevendo novelizações de episódios e livros com histórias originais de Doctor Who) e Malcolm Hulke, compensa a precariedade dos cenários e as péssimas coreografias de luta e de corre-corre (que me lembraram das chanchadas da Atlântida). É também esse serial que lança o conceito dos Time Lords e mostra pela primeira vez, ainda que num cenário pequeno, o mundo natal do Doutor, Gallifrey (que ainda não tinha esse nome naquele momento).

Eu já tinha dito num artigo para o site Webinsider que a série me provoca uma espécie de nostalgia retroativa, pois embora eu já tivesse ouvido falar de Doctor Who desde a adolescência, a série só começou a ser exibida no Brasil a partir da nova, de 2005, quando eu já tinha 39 anos. Mas sinto um quentinho no coração e um fibrilar nos neurônios, que parecem criar configurações novas e inventar memórias de uma infância alternativa em que eu falava inglês e morava numa casinha modesta de dois andares em Marble Arch, em Londres. É uma sensação curiosa – e boa.

(e agora com licença, que vou começar as aventuras do Terceiro Doutor)

Resenha Ligeira: Dívida, de David Graeber

No post anterior, associei Mark Fisher a David Graeber e mencionei seu livro Dívida: os Primeiros Cinco Mil Anos, num breve pensamento sobre como o Capital nos controla. Dívida foi publicado em originalmente em 2011 (saiu aqui no Brasil em 2023, com tradução de Rogério Bettoni) e é de certa maneira um livro-irmão da sua obra póstuma, O Despertar de Tudo.

Neste último livro, escrito a quatro mãos com o arqueólogo David Wengrow, Graeber (que era antropólogo) apresenta uma visão diferente do passado das civilizações humanas. Ao contrário do que aprendemos na escola, onde somos levados a acreditar que a história da humanidade é sempre linear, ou seja, um caminho reto que leva de culturas menos avançadas para outras mais avançadas com o passar do tempo, os autores procuram mostrar, com diversos exemplos, que a história não caminha assim. Existem avanços e retrocessos, construções e desconstruções (e destruições), e processos políticos e sociais muito diferentes uns dos outros mas que coexistem no mesmo espaço de tempo.

Com Dívida a lógica é a mesma. A capa da edição brasileira afirma que o livro é “uma história alternativa da economia”. Não é exatamente isso, mas faz um certo sentido: Graeber entra fundo na questão da dívida e de seu perdão, analisando diversas sociedades desde a Mesopotâmia a fim de tentar entender o que é o dinheiro como conceito e como o conceito de dívida já existia antes mesmo da moeda física aparecer na história.

Graeber é de uma honestidade intelectual a toda prova. Ele nunca afirma cabalmente saber de tudo – uma crítica que ele faz a outros autores na introdução ao O Despertar de Tudo, ainda que em Dívida ele não faça isso. Mas não deixa de ser interessante observar que em introduções e prefácios os autores costumam justamente fazer um inventário dos pesquisadores que vieram antes e dos quais eles se sentem devedores (pensem em Isaac Newton e sua famosa frase sobre os ombros de gigantes), e Graeber opta por não fazer isso nesse livro.

Mas como antropólogo, Graeber acaba sendo de certa forma devedor a outros como Malinowski e Mauss, que foram os fundadores do ramo da antropologia econômica. E, como eles, Graeber é um excelente narrador: em mais de 500 páginas ele nos conta muitas histórias sobre a questão da troca (e de como o escambo nas sociedades primitivas não é bem do jeito que aprendemos nos livros) e da dádiva, entre outras coisas. Histórias aqui no melhor sentido: o que Graeber faz é procurar dissipar mitos e nos apresentar uma outra dádiva, a da dúvida; as coisas não foram do jeito tão certinho quanto sempre nos foi ensinado. Não se sabe exatamente o que havia antes, principalmente onde não sobreviveram registros – e é essa sinceridade brutal, essa rude franqueza que Graeber nos dá neste livro. Talvez por isso ele não faça tanto sucesso quanto autores como Yuval Harari, porque não nos dá certezas históricas quanto ao passado remoto. Mas Dívida nos dá a certeza de que praticamente tudo o que pensávamos saber a respeito de como o dinheiro e as dívidas surgiram no mundo está errado.

(Em tempo: alguns anos atrás traduzi para a Revista Jacobina um artigo de Graeber sobre o que ele chamava de bullshit jobs, ou empregos de merda. Vale a leitura.)

pensata de sábado

Pensando em escrever um artigo sobre Mark Fisher e David Graeber como dois suicidados pela sociedade, à maneira de Antonin Artaud. O primeiro literalmente; o segundo de modo figurado, mais pelo estresse cotidiano. Mas ambos são vozes neste deserto de ideias do século 21, vozes que são abafadas pela linguagem-linkedin de autores como Yuval Harari e Slavoj Zizek (ainda que este último seja um filósofo sério, apesar da questão da celebridade).

Mas sério: lendo Graeber agora em seu livro Dívida e relendo Realismo Capitalista de Fisher, não consigo parar de pensar em como absolutamente tudo o que nos cerca é regido pela sombra titânica do Capital, tão completamente que qualquer pensamento em contrário é dispensado como bobagem ou talvez loucura (Foucault, here’s looking at you kid), e todos seguem a lógica de Wittgenstein, que dizia que sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar.

O que não se pode falar é que o capitalismo é um sistema indefensável e terrível para 99 por cento da humanidade, mas que ainda assim o seguimos por acreditar que “não há alternativa” (palavras pavorosas de Margaret Thatcher nos anos 1980). Eu também acredito que não há, pelo menos não nas próximas gerações – ainda mais com o fascismo nosso de cada dia, que saiu dos esgotos alguns anos atrás e não vai voltar para lá. Aos que dizem “não passarão”: eles já passaram.

Então o que nos resta? Dançar um tango argentino? Sim, isso: dançar muito, comer bem, beber e fumar o que se quiser, fazer muito amor que amor não faz mal, e se possível não vender sua alma, que ela pelo menos ainda não precisa ser vendida. Resta-nos documentar, registrar, deixar nossa marca no mundo, para que um dia arqueólogas futuras saibam que, eras antes, houve alguém que disse: eu não me conformo.

(PS: a Masterclass Mark Fisher foi cancelada porque Patrícia estava se sentindo mal desde quinta. Achamos que fosse Covid; o teste deu negativo, mas ela precisava descansar e por isso optei pelo cancelamento. Mas darei um curso online em breve.)

Filmes de Junho – e um Desafio para Julho

Junho foi um mês ligeiramente acima da média (32 filmes assistidos), o que me surpreendeu bastante porque foi o mês em que passei quase 15 dias na China e lá eu quase não vi filme nenhum (apenas dois, e no celular), mas como não durmo em viagens de avião, os filmes que assisti a bordo compensaram os que deixei de ver em terra. Vamos a eles.

Langlois – Roberto Guerra e Eila Hershon
Assault on Precinct 13 – John Carpenter
Ungentle – Huw Lemmey, Onyeka Igwe
Senhoritas em Uniforme- Leontine Sagan
The Legend of Hell House – John Hough
Pino – Walter Fasano
Bob Marley, One Love – Reinaldo Marcus Green
Tár – Todd Field
L’Innocent -Louis Garrel
The Banker – George Nolfi
Os Sonhadores – Bernardo Bertolucci
Forbidden Planet- Fred M. Wilcox
Delta Space Mission – Mircea Toia e Calin Cazan
Andrey Tarkovsky – A Cinema Prayer – Andrei A. Tarkovsky
The Fantastic Beautiful – Simon Aboud
Downton Abbey, o Filme – Michael Engler
Elis e Tom – só tinha de ser com você – Roberto de Oliveira
She Came to Me – Rebecca Miller
Império da Luz- Sam Mendes
Mussum, o Filmis – Silvio Guindane
The Asphalt Jungle- John Huston
Remembering Gene Wilder – Ron Frank
Divertida Mente 2 – Kelsey Mann (cinema)
The Quiet Earth – Geoff Murphy
Black Barbie, a Documentary – Lagueria Davis
Herança – Vaughn Stein
Phase IV – Saul Bass
Sorcerer – William Friedkin
Berberian Sound Studio – Peter Strickland
Feito na Inglaterra: os Filmes de Powell e Pressburger
Años-luz – Manuel Abramovitch
Sob as Águas do Sena – Xavier Gens

Estatísticas:

. Dos 32, apenas 4 foram dirigidos por mulheres: dois documentários, um deles a quatro mãos, e duas ficções. Muito pouco, mas isso agora vai acabar (mais sobre isso no fim deste post).

. Dos 32, eu já havia assistido seis. Os que mais revi foram Downton Abbey (sou fã confesso da série, já revi três vezes) e The Quiet Earth, um filme de ficção científica independente e muito bom, que vi em VHS pouco depois de seu lançamento e alguns anos mais tarde não lembro mais onde. Só sei que, ao rever agora, constatei que não lembrava quase nada mais, e isso acabou sendo ótimo, pois preservou o sense of wonder.

. Com Patrícia novamente assisti apenas a um filme em junho, Divertida Mente 2 – que foi bacana e divertiu, mas apesar de seguir uma fórmula que tem tudo para agradar, desta vez ficou aquém do primeiro, com uma premissa muito boa mas uma execução simplista e muito direta, que poderia ter sido um curta.

. Este mês foi particularmente interessante em termos de idiomas: foram nove filmes falados em idiomas que não o inglês. Um em romeno, um em russo, um em espanhol, um em alemão, um em italiano e dois em francês (na verdade um e meio, porque Os Sonhadores é falado em francês e inglês), e dois em português, vejam vocês. O documentário Elis e Tom e a biopic Mussum, o Filmis, dois filmes que me agradaram muito e contribuíram para reduzir meu incômodo patológico em ver filmes brasileiros (que é algo recente e nada tem a ver com a qualidade dos filmes brasileiros, que são espetaculares).

Como nos demais meses, os filmes foram listados na ordem em que os assisti, sem classificação de qualidade; entretanto, me reservo o direito de recomendar que vejam os que mais gostei e, da mesma maneira, sugerir que passem longe dos que não gostei. A saber:

Os que mais gostei:

. The Legend of Hell House – ou, A Casa da Noite Eterna, como ficou conhecido no Brasil. Vi esse filme no meu primeiro cinema poeira, o cinema da Igreja Nossa Senhora do Carmo, na Zona Norte do Rio, onde fui batizado e que nos anos 1970 abrigaria no subsolo um cineminha onde vi pela primeira vez A Noviça Rebelde, O Poderoso Chefao e Zardoz, entre muitos outros. Este filme, baseado num livro de Richard Matheson, tem uma história bem acima da média dos filmes de terror da época, embora com uma certa exploração do corpo feminino que hoje é de mau gosto mas que, confesso, me agradou na adolescência. A história, porém, está acima disso tudo e ainda se sustenta depois de 50 anos.

. She Came to Me – vi esse filme de Rebecca Miller no avião voltando para o Brasil, e que surpresa agradável foi ver Peter Dinklage como compositor de ópera em crise (e sem nenhuma menção à sua altura, pois não faz diferença na história) num filme em que o homem faz as cagadas habituais no relacionamento mas desta vez para, escuta, pede desculpas e busca aprender. Eu sei, quase dei um spoiler agora, mas vale muito a pena.

. Assault on Precinct 13 – Eu nunca tinha visto esse filme de John Carpenter. Aproveitei que o Criterion Channel está exibindo um especial temático Synth, só com filmes cujas trilhas sonoras são de música eletrônica, e devorei esse filme (se usa “devorar” com filmes? Sei que se usa com livros e de agora em diante usarei também para filmes). O filme é literalmente uma porrada, com cenas ainda hoje impactantes (a do carrinho de sorvete é muito ousada, ainda nos dias de hoje). Recomendo.

Corra que o filme ruim vem aí:

. Bob Marley, One Love – Quando vi o trailer no cinema, fiquei muito a fim de ver. Mas acabei vendo no avião e, acreditem, foi melhor assim. O filme não é constrangedor, mas é bem clichê e rende como uma Sessão da Tarde para maconheiros (isso não é uma crítica; nada contra, pelo contrário).

. The Fantastic Beautiful – Esse filme foi uma grande decepção. Só atores bons (Jessica Brown Findlay, Andrew Scott e o recém-falecido Tom Wilkinson) e um roteiro que vai bem até a metade, depois descarrilha que é uma beleza de acidente. Capacitista (porque mostra uma moça autista mas que vai aos poucos meio que deixando de ter características autistas por conta de vários fatores externos, o que não faz o menor sentido) e machista (porque a moça é assediada por um rapaz intrusivo, arrogante – e porco – que ainda por cima a trai, mas no fim ele se desculpa e tudo bem, ela volta pra ele). Passem muito longe deste.

. Sob as Águas do Sena – Ok, esse nem valeria colocar aqui. Apesar de ter Berenice Béjo no elenco, é um filme feito pra ser blockbuster de Netflix, e nessa categoria ele não faz feio. Mas os CGIs do tubarão comendo gente são over de um nível Sharknado, só que sem a mesma autoparódia – e mesmo nos filmes mais “descolados”, os franceses conseguem ser reaças, colocando os ecologistas como jovens irresponsáveis (todos brancos de classe média, até aí ok) e a valorosa polícia fluvial como os grandes herois do pedaço (todos negros e árabes, o que é bem bacana, mas pena que eles acabam se vendendo ao sistema e se revelando tão autoritários quanto os brancos). É pra tirar o cérebro da cachola antes de ver.

O DESAFIO DE JULHO: Isto aqui é novo: eu venho falando desde o fim de 2023 que quero ler mais livros escritos por mulheres e ver mais filmes dirigidos por mulheres ou com mulheres protagonistas fortes – mas falar é fácil. Patrícia, sempre perspicaz, percebeu e me propôs um desafio gamificado (palavras dela): ela me propôs procurar ativamente filmes com mulheres protagonistas e/ou na direção e deu até um número: eu devo assistir no máximo 20 por cento de filmes dirigidos por homens ou com protagonismo masculino. Desafio aceito: já comecei o mês bem, com três filmes bacanas, todos com mulheres incríveis à frente do elenco. Mais sobre isso em breve.

cenas dos próximos episódios

Este blog andou abandonado; muito trabalho na faculdade, mas não só. Nos últimos tempos tenho repensado várias coisas na vida, inclusive como conciliar literatura e carreira acadêmica. Entrei 2024 com dois novos livros de ficção e alguns artigos acadêmicos escritos e publicados. A balança está pendendo mais para a academia este ano, embora eu esteja pelo menos com mais dois livros que provavelmente sairão até o fim do ano. A partir de 2025, porém, a produção literária deverá ser mais contida, com pouca coisa saindo – talvez um livro somente, talvez nem isso.

Mas o blog continua, e a ideia é que ele seja atualizado com mais frequência neste segundo semestre de 2024. Entre outros posts, a já indefectível relação de filmes assistidos ao longo de cada mês, mas também um relato mais detalhado da minha viagem à China no começo de junho e reflexões sobre meus temas atuais de pesquisa, que envolvem teoria geral dos sistemas (e os chamados romances de sistemas), utopias logísticas e o pensamento de Mark Fisher. Sobre este último, aliás, vou ministrar uma Masterclass na livraria Tapera Taperá no sábado, 6 de julho. Inscrições aqui.

Filmes de Maio

Fechei maio com 28 filmes assistidos. Nada mal pra quem vive de assistir filme picotado: não sei se expliquei direito no post dos filmes de março, mas eu costumo parar no meio de um filme por qualquer motivo que me dê na telha, e aí retomo no dia seguinte. Claro, tem dias em que não consigo retomar, mas quase sempre eu compenso. Comecei junho já vendo dois no mesmo dia – mas sobre isso eu falo quando chegar a hora. Os filmes de maio são estes:

O Franco-atirador – Michael Cimino
Crítico – Kleber Mendonça Filho
O Sabor da Vida – Tran Anh Hung (cinema)
Os Segredos dos Neandertais – Ashley Gething
Life – Anton Corbijn
Expresso para o Inferno – Andrei Konchalovsky
Ó Pai ó 2 – Viviane Ferreira
Le Chant du Loup – Antonin Baudry
In the Land of Saints and Sinners – Robert Lorenz
Squaring the Circle (the story of Hipgnosis) – Anton Corbijn
O Planeta dos Macacos – A Origem – Rupert Wyatt
Planeta dos Macacos – o Confronto – Matt Reeves
The Physician – Phillip Stoltz
Planeta dos Macacos – a Guerra – Matt Reeves
Loving Highsmith- Eva Vitija
Carol – Todd Haynes
Planeta dos Macacos (1968) – Franklin J. Schaffner
O Cair das Folhas – Alice Guy-Blaché
The Beekeeper – David Ayer
De Volta ao Planeta dos Macacos – Ted Post
Fuga do Planeta dos Macacos – Paul Dehn
Madame Web – S. J. Clarkson
Tokyo-Ga – Wim Wenders
A Conquista do Planeta dos Macacos – J. Lee Thompson
A Batalha do Planeta dos Macacos- J. Lee Thompson
The Great Magician – Derek Yee
Heaven’s Gate – Michael Cimino
Repeat Performance- Alfred L. Werker

Estatísticas:

. Dos 28, cinco foram dirigidos por mulheres. Teve de um tudo: dois documentários, dois longas e o único curta até o momento. Curtas não são o objetivo deste projeto, mas coloquei aqui porque foi um da pioneira Alice Guy-Blaché, então está mais do que valendo. No mais, foi no mínimo curioso (estou sendo irônico) perceber que Madame Web não foi um filme tão ruim assim (é fraco, mas não é constrangedor), e que a crítica completamente devastadora que li meses atrás provavelmente foi escrita por um misógino. Então que se foda, né?

. Dos 28, eu já havia assistido exatamente 10, entre os quais todos os da saga do Planeta dos Macacos, tanto os originais quanto os novos, e o genial Portal do Paraíso (Heaven’s Gate), pelo qual Michael Cimino foi tão injustamente massacrado. Agora percebo que nunca coloquei esse filme na minha lista de dez mais, mas na verdade ele sempre esteve lá, desde que o vi pela primeira vez ainda na adolescência, numa madrugada da Globo. Desde então, revi pouco (não mais que cinco vezes), mas agora ele vai entrar para a minha relação de filmes a ver pelo menos uma vez por ano, como Casablanca e Lawrence da Arábia.

. Eu assisti apenas um filme com Patrícia no mês de maio: o belíssimo O Sabor da Vida, com Juliette Binoche. O filme traz um tema caro ao diretor, o mesmo do lindo O Cheiro do Papaia Verde, e também a nós dois: a culinária. É filme pra sair do cinema não só com fome, mas também com vontade de cozinhar – e é o que eu tenho feito este mês. Ainda estou muito longe do ideal, mas eu chego lá.

. Apenas seis filmes são falados em idiomas que não o inglês: um em português, um em japonês/alemão/inglês, outro em inglês/francês/português dois em francês e um em mandarim.

. Dois filmes brasileiros: Ó Pai Ó 2 e Crítico.

Como nos demais meses, os filmes foram listados na ordem em que os assisti, sem classificação de qualidade; entretanto, me reservo o direito de recomendar que vejam os que mais gostei e, da mesma maneira, sugerir que passem longe dos que não gostei. A saber:

Os que mais gostei:

. O Franco-Atirador – eu nunca tinha visto esse filme até mês passado. E me arrependi por não tê-lo visto antes. Michael Cimino foi um diretor genial – e genioso, como muitos, o que não facilitou a passagem dele por Hollywood e por este mundo e, desconfio, ajudou a fazer com que os filmes dele sejam imensamente subestimados.

. Crítico – esse documentário que o Kleber Mendonça Filho fez antes de seus longas é uma inspiração. Revi mais duas vezes este mês, porque tive que passar para minhas turmas de oficina de texto jornalístico na faculdade. Fundamental para quem realmente gosta de cinema.

. O Sabor da Vida – pelos motivos elencados mais acima. Se não der pra ver no cinema, não percam quando chegar ao streaming.

. Squaring the Circle – Anton Corbijn é um diretor do qual eu gosto praticamente de tudo. Este documentário, sobre a história do duo de designers Hipgnosis, responsável pela clássica capa de The Dark Side of the Moon (e de quase tudo do Pink Floyd nos anos 1970 e 1980, além de Led Zeppelin e uma porrada de outros grupos da época) é um deslumbre. Como alguém que é uma negação como designer mas adora todo o processo de criação dos designers, fiquei absolutamente fascinado. Vale muito a pena.

. Repeat Performance – esse é um filme do qual eu não sabia absolutamente nada até ler a crítica do meu amigo Sylvio Gonçalves no Facebook. Fui conferir no Criterion Channel: esse filme de 1947 é um honradíssimo precursor da série Além da Imaginação. É um roteiro quase perfeito, e entre os atores está um Richard Basehart novinho, em seu primeiro papel, que é considerado uma das interpretações de personagens queer mais delicadas e comoventes daquela época, e eu concordo.

. Heaven’s Gate – fecho com Michael Cimino novamente. Aliás, se não fosse pelo filme acima, eu teria começado a encerrado o mês com Cimino e estaria muito bem pago. Esse filme desbancou Blade Runner nos meus Top 3, e agora está no pódio com Casablanca e Lawrence da Arábia – todos os três histórias de homens que lutaram mas só conheceram o fracasso. Faz um certo sentido eu gostar tanto desses filmes, mas sobre isso eu falo com meu analista outro dia.

Corra que o filme ruim vem aí:

Maio foi ainda melhor que abril: muito filme bom, alguns filmes-pipoca (além de Madame Web, The Beekeeper é bacana, uma tentativa bem interessante de Jason Statham virar um novo John Wick) e somente um filme que eu classificaria como constrangedor. Infelizmente é um filme brasileiro. Ó Pai Ó 2 é uma daquelas sequências que não precisavam existir. Não tem um décimo da potência do primeiro (que ainda me faz pular da cadeira e dançar), e parece ser feito como uma ação entre amigos. Por esse motivo, e somente por esse motivo, eu acho que o filme é válido. Porque resgata do anonimato muitos atores que participaram do primeiro filme. Então deixemos como está.

.

Filmes de Abril

Foram 30 filmes em abril. Esse foi um mês muito bom para a minha cinefilia. Teve de tudo um pouco, do excelente ao muito ruim, mas que valeu até artigo jornalístico, então está valendo. A lista:

In a Lonely Place – Nicholas Ray
O Salário do Medo – Julien Leclercq
Noite Passada no Soho – Edgar Wright
A Grande Entrevista- Philip Martin
Terra à Deriva – Frant Gwo
Jogo Bonito – Thea Sharrock
Millenium – a Garota na Teia de Aranha – Fede Alvarez
A Taste of Honey – Tony Richardson
Código 46 – Michael Winterbottom
Zona de Interesse – Jonathan Glazer
Amadeus – Milos Forman
Oppenheimer – Christopher Nolan
Sérgio Ricardo, uma Outra História do Cinema Novo – Rafael Rosa Hagemeyer
O Salário do Medo – Henri-Georges Clouzot
O Talentoso Ripley – Anthony Minghella
Dias Perfeitos – Wim Wenders
A Corte Marcial do Navio da Revolta – William Friedkin
The Post – Steven Spielberg
Plein Soleil – René Clement
2010 – Peter Hyams
Chungking Express – Wong Kar Wai
Rebel Moon, Part 1 – Zack Snyder
Rebel Moon, Part 2 – Zack Snyder
Freud’s Last Session – Matt Brown
Iceman – Fred Schepisi
A Chegada – Denis Villeneuve
Estranha Forma de Vida – Pedro Almodóvar
Crisis on Infinite Earths, Part 1 – Jeff Wamester
Here Comes Mr. Jordan – Alexander Hall
Bombshell: The Hedy Lamarr Story – Alexandra Dean

Estatísticas:

. Dos 30 filmes, apenas dois foram dirigidos por mulheres, ambos bons: Jogo Bonito é uma história de futebol bem feel good, daquelas que exaltam o valor da amizade. E sabe de uma coisa? Precisamos de mais filmes assim, com esse Ted Lasso feeling (se você não sabe quem é Ted Lasso, corra atrás porque vale muito a pena). Bombshell é um documentário sobre uma das atrizes mais bonitas de Hollywood nos anos 1940 e 1950 e que foi também a inventora do sistema que nos legou o wifi.

. Dos 30, eu já havia assistido cinco. Código 46, Amadeus e 2010 são filmes que revejo sempre que posso. A Chegada e O Talentoso Ripley eu vi apenas pela segunda vez agora, nem sei porquê, porque também são filmes para se rever de tempos em tempos.

. Oito filmes são falados em outros idiomas que não o inglês: um em mandarim, um em alemão, um em japonês, um em português e quatro em francês.

. Um filme brasileiro somente, um ótimo documentário sobre Sérgio Ricardo. Continuo um desastre nesse quesito.

Como nos demais meses, os filmes foram listados na ordem em que os assisti, sem classificação de qualidade; entretanto, me reservo o direito de recomendar que vejam os que mais gostei e, da mesma maneira, sugerir que passem longe dos que não gostei. A saber:

Os que mais gostei:

. In a Lonely Place – Um filme que vale mais como estudo de personagens que como história propriamente dita (embora o mistério de assassinato seja bom). Humphrey Bogart como canalha é algo que sempre me impressiona.

. Noite Passada no Soho – Edgar Wright não costuma errar a mão, e neste caso ele produziu uma pequena obra-prima do cinema recente. O filme tem de tudo: swinging sixties, sensualidade, ficção científica, terror (sobrenatural e não-sobrenatural) e crime. Anya Taylor-Joy é uma alegria de se ver (pun very much intended).

. Amadeus – nunca me canso de ver esse filme. Gostaria de ter visto a peça (aqui no Brasil foi com Edwin Luisi como o jovem Mozart e Raul Cortez como Salieri), mas o filme me consola. Tom Hulce deveria ter ganho o Oscar junto com F. Murray Abraham.

. Dias Perfeitos – esse foi um filme que me surpreendeu. Não fui ao cinema porque, embora goste de praticamente tudo que Wim Wenders faz, fiquei muito incomodado com as críticas positivas ao filme, que me pareceram mais um certo deslumbramento ocidental diante da visão estereotipada que eles têm de uma vida japonesa simples e meditativa. Fico feliz por ter me enganado: o filme tem mais camadas do que se pode supor à primeira vista, tanto que levei alguns dias para de fato entender (ou achar que entendi) o filme e o assimilar como se deve. Para mim ele agora é o melhor filme de Wenders junto com Asas do Desejo e Até o Fim do Mundo. Escrevi uma crítica para o Webinsider que vocês podem ler aqui.

Corra que o filme ruim vem aí:

Abril foi um mês tão rico que eu poderia ter tranquilamente colocado mais uns 5 ou 6 filmes na categoria acima. Não vi nenhum filme constrangedor. Talvez o filme mais fraco dessa leva tenha sido o último de William Friedkin, mas A Corte Marcial do Navio da Revolta é um filme de tribunal bastante interessante baseado na história do motim do Bounty (que por sua vez já foi levada à tela várias vezes ao longo do século passado), que nem a atuação pífia de Kiefer Sutherland consegue estragar.

Ah, quando disse que não vi nenhum filme constrangedor, eu disse uma meia-verdade. Esqueci de Rebel Moon. Mas aquilo ali, vocês vão me perdoar, nem filme é. Leiam a respeito aqui.

Filmes de março

Em março vi menos filmes que nos dois meses anteriores: 29. Não lembro se expliquei meu método aqui nas postagens de janeiro e fevereiro: nem sempre consigo ver um filme por dia, às vezes por cansaço, outras pelo TDAH, que me leva a parar um filme no meio e sair procurando outros no catálogo. Ao contrário do que possa parecer, não faço isso por achar o filme chato. Muitas vezes o filme é incrível e eu estou adorando, mas a mente autista não para de trabalhar furiosamente, e eu me pego pensando que outros filmes incríveis estarão à minha espera nos catálogos dos streamings que assino, e aí danou-se: preciso parar tudo e procurar na hora. Sem contar as inúmeras vezes em que estou vendo um filme, me deparo com uma atriz ou ator de quem gosto muito e sinto uma vontade irreprimível de consultar a web para saber se ela ou ela ainda estão vivos e o que mais fizeram depois do filme em questão.

Mas já estou me alongando demais. Com vocês, os filmes que vi em março:

Flash Gordon – Mike Hodges
Duna parte 1 – Denis Villeneuve
Aquaman – James Wan
Duna parte 2 – Denis Villeneuve (cinema)
The First of the Few – Leslie Howard
Carrington V.C. – Anthony Asquith
Napoleon – Ridley Scott
Wonka – Paul King
American Fiction – Cord Jefferson
A Fantástica Fábrica de Chocolate- Mel Stuart
The Long Arm – Charles Frend
007 contra o Homem da Pistola de Ouro – Guy Hamilton
The Outfit – Graham Moore
Bronson – Nicolas Winding Refn
The GENTLEMEN – Guy Ritchie
Esquema de Risco: Operação Fortune – Guy Ritchie
Cabaret – Bob Fosse
Infiltrado – Guy Ritchie
Uma Vida – James Hawes (cinema)
Cinzas e Diamantes – Andrzjei Wajda
A Última Viagem do Demeter – Andre Øvredal
Holy Spider- Ali Abbasi
Gothic – Ken Russell
Savage Messiah – Ken Russell
Hell on Earth: the Desecration and resurrection of THE DEVILS – Paul Joyce
All of Us Strangers – Andrew Haigh (cinema)
24-Hour Party People – Michael Winterbottom
Finding Vivian Maier – John Maloof e Charlie Siskel
The Boy Friend – Ken Russell

As estatísticas:

. Dos 29, nenhum foi dirigido por uma mulher. Como falei antes em outro lugar, tenho andado mais atento a isso. Não vou parar de ver filmes dirigidos por homens, mas tenho sentido mais vontade de ver filmes de cineastas mulheres, e isso está se provando uma tarefa mais difícil do que eu imaginava, em particular porque poucos streamings hospedam uma produção feminina grande. O garimpo tem que ser intenso.

. Dos 29, eu já havia assistido oito. Uma curiosidade: 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro foi o primeiro filme de James Bond que vi no cinema. Fui com meu pai (uma das raríssimas vezes em que fomos ao cinema juntos) num dia de semana no centro do Rio, porque eu havia passado de ano e ele queria me dar um presente. (Valeu, pai.) Desses, o filme que mais vezes vi foi Gothic, que ainda é meu favorito de Ken Russell.

. Somente dois filmes dessa leva eram falados em idiomas que não o inglês: Cinzas e Diamantes (polonês) e Holy Spider (farsi). É pouco.

. Absolutamente nenhum filme brasileiro (o que honestamente é um desaforo).

. Vi três filmes com Patrícia: American Fiction (no streaming), Uma Vida e All of Us Strangers no cinema.

. Como nos outros meses, os filmes foram listados na ordem em que os assisti/assistimos, sem classificação de qualidade; entretanto, me reservo o direito de recomendar que vejam os que mais gostei e, da mesma maneira, sugerir que passem longe dos que não gostei. A saber:

Os que mais gostei:

. Duna – aqui eu coloco os dois como o único filme que efetivamente são. Só consegui ver a segunda parte no cinema, e foi um deslumbre.

. American Fiction – é uma porrada na cara da branquitude. Também foi o filme em que descobri que Jeffrey Wright (ou pelo menos seu personagem no filme) é autista, e faz umas caras idênticas às minhas quando confrontado com situações esdrúxulas. Também me fez começar a ler Percival Everett, e só isso já teria valido a pena.

. Holy Spider – um tremendo filme, muito necessário e imensamente triste porque retrata uma situação que não acontece só no Irã, mas no mundo todo. Feminicídio é uma praga, e para sermos bem francos todo o gênero masculino é uma praga.

. Flash Gordon – da série “é tão ruim que é bom”. Sério, é ruim. Mas é um espetáculo deslumbrante de camp e más atuações, tão ruim que o ponteiro dá a volta e chega próximo do genial. Se você nunca viu e estiver a fim de se maravilhar e dar boas risadas com um filme que não foi feito para ser engraçado, vá em frente sem nenhuma culpa.

Corra que o filme ruim vem aí:

. Aquaman – quanto menos se disser a respeito, melhor.

O resto não comprometeu: alguns filmes britânicos de propaganda da Segunda Guerra, um documentário bacana sobre a fotógrafa Vivian Maier e um filme interessante que eu deveria ter recomendado mais acima, The Outfit, com um dos meus atores favoritos, Mark Rylance.

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Para fins de registro

Este semestre está andando incrivelmente rápido – com a exceção de maio, que foi o equivalente cósmico de agosto e pareceu se estender relativisticamente no tempo para ocupar o espaço dos outros meses. Não me incomodei porque maio é o mês do meu aniversário e porque eu precisava dessa extensão para resolver pendências de faculdade por conta da viagem que farei à China agora em junho (já falei a respeito nas redes sociais, mas depois escreverei com mais detalhes aqui).

Vai daí que eu acabei não postando mais nada neste blog há três meses. Felizmente andei ocupado e há muito que postar para recuperar o tempo perdido. Procurarei fazer isso entre hoje e 6 de junho, que é quando viajarei. A seguir, os posts referentes à minha cinefilia de março, abril e maio.

Filmes de Fevereiro

A obsessão de começo de ano encontra o hiperfoco autista e dá continuidade à ideia elaborada no começo do ano, a saber, de tentar ver a média de um filme por dia. Agora as aulas começaram, então é bastante provável que essa média não se mantenha – e além disso, tenho novidades para compartilhar com vocês, coisas que comentei nas redes mas sobre as quais não escrevi aqui. Farei isso nos próximos dias. Por ora, fiquem com a lista de filmes assistidos ao longo de fevereiro, com as devidas observações.

Foram trinta filmes em vinte e nove dias. Ao contrário de janeiro, quando só vimos um filme no cinema, desta vez eu e Patrícia assistimos a quatro: Vidas Passadas, de Celine Song, Pobres Criaturas, de Yorgos Lanthimos, O Melhor está por Vir, de Nanni Moretti (estes dois durante o carnaval) e Anatomia de uma Queda, de Justine Trier. Todos excelentes, com a exceção do filme de Moretti, muito decepcionante para mim, que esperava mais que uma egotrip boba (apesar da ótima ideia). Os demais foram vistos em streamings, a saber: Netflix, Amazon Prime, HBO (Max), Star +, Disney +, MUBI, Criterion Channel. Eis a lista completa, com o título de cada filme seguido do nome do diretor:

A Mulher de Tchaikovsky – Kyrill Serebrennikov
A Matter of Life and Death – Powell e Pressburger
Vidas Passadas – Celine Song (cinema)
O Pálido Olho Azul – Scott Cooper
The Ghost and Mrs. Muir – Joseph L. Mankiewicz
Best Sellers: a Última Turnê – Lina Roessler
Fuga do Passado – Jacques Tourneur
Serpico – Sydney Lumet
Lift – F. Gary Gray
Pobre Criaturas – Yorgos Lanthimos (cinema)
As Marvels – Nia Da Costa
Uma Ponte Longe Demais – Richard Attenborough
Belfast – Kenneth Branagh
O Melhor Está por Vir – Nanni Moretti (cinema)
O Cúmplice das Sombras – Joseph Losey
Dante – Pupi Avati
Anjo do Mal – Samuel Fuller
L’Ombra del Giorno – Giuseppe Picconi
A Noite que Mudou o Pop – Bao Nguyen
Anatomia de uma Queda – Justine Triet (cinema)
O Conde – Pablo Larraín
The Lion in Winter – Anthony Harvey
The Wrong Arm of the Law – Cliff Owen
Einstein e a Bomba – Anthony Philipson
Leonora Addio – Paolo Taviani
Gift Horse – Compton Bennett
Filmed in Supermarionation – Stephen La Rivière
Assassinos da Lua das Flores – Martin Scorsese
A Guerra do Fogo – Jean-Jacques Annaud
Solaris – Steven Soderbergh

Algumas estatísticas:

. Dos 30, apenas quatro foram dirigidos por mulheres (menos do que no mês passado, mas uma porcentagem maior com relação ao total de filmes assistidos no mês)

. Dos 30, eu já tinha visto sete; em pelo menos dois casos (The Lion in Winter e Solaris) eu já havia visto mais de três vezes cada filme.

. Seis desses filmes eram falados em idiomas que não o inglês: um deles em línguas inteiramente inventadas (A Guerra do Fogo, cujo responsável linguístico foi Anthony Burgess), um em russo, três em italiano e dois bilíngues (Vidas Passadas é falado em inglês e coreano, e Anatomia de Uma Queda em inglês e francês, com um pouco de alemão) .

. Não vi nenhum filme brasileiro em fevereiro (mea culpa; mais sobre isso outro dia).

. Vi cinco filmes com Patrícia; todos os que vi no cinema, e Belfast, no streaming)

Os filmes foram listados na ordem em que os assisti/assistimos, sem classificação de qualidade; entretanto, me reservo o direito de recomendar que vejam os que mais gostei e, da mesma maneira, sugerir que passem longe dos que não gostei. A saber:

Os que mais gostei:

. Pobres Criaturas – baseado no livro homônimo do genial escritor escocês Alasdair Gray, esse filme foi fogo no parquinho para Yorgos Lanthimos, mas isso é ótimo, porque ele simplesmente adora provocar incêndios por onde passa.

. Anatomia de uma Queda – um filme de tribunal como há muito eu não via. É o meu favorito para o Oscar até o momento.

. Dante – escolhi esse por questão afetiva. É uma reconstituição de época muito delicada da Idade Média italiana, cerca de vinte anos depois da morte de Dante Alighieri. Giovanni Boccaccio, seu maior fã e defensor, procura a filha de Dante para lhe entregar o perdão de Firenze, concedido postumamente ao poeta exilado. É um filme belo, e isso me basta.

. The Lion in Winter – Vi pela primeira vez esse filme numa madrugada da Globo (sim, as madrugadas desse canal já foram muito boas um dia) e me encantei. É baseado numa peça de teatro do próprio diretor, e as interpretações de Peter O’Toole e Katharine Hepburn são gigantes. Sem contar que é um prazer ver Anthony Hopkins e Timothy Dalton, tão jovens mas já experientes no teatro, em seus primeiros papéis no cinema.

. A Guerra do Fogo – Vi esse filme no cinema, ainda adolescente, e ele me marcou profundamente. É baseado no livro de mesmo nome do escritor franco-belga J.-H. Rosny aîné, e a sua concepção de tribos pré-históricas hoje já está ultrapassada, mas ela ainda é forte e impactante. A criação de idiomas diferentes para cada tribo ou comunidade (obra de Anthony Burgess, escritor e linguista que já tinha bastante experiência pela sua criação do nadsat em Laranja Mecânica; coincidentemente – ou não – eu acabaria traduzindo esse livro muitos anos depois) ajudou a dar credibilidade narrativa a esse filme.

Corra que o filme ruim vem aí:

Fevereiro não foi um mês de filmes constrangedores. Vi algumas comédias britânicas dos anos 1950, que, se não são geniais, cumprem a função de divertir. Filme ruim, ruim mesmo, não vi. Mas não recomendo Best Sellers: a Última Turnê. Michael Caine merecia muito mais do que esse filme coalhado de clichês e que não rende quase nada. Meno male que é o seu penúltimo, e não o último, que ele filmou com Glenda Jackson e ainda não tive a chance de ver.