Algum tempo atrás eu postei aqui uma pensata sobre Marina Schopenhauer, uma cantora de origem desconhecida, mas que tudo levava a crer ter sido gerada por IA. Ao longo de algumas semanas, um canal de YouTube lançou diversas músicas com uma levada anos 1980, e uma foto (sempre a mesma) de uma jovem que parecia ter traços de vários cantores e cantoras dessa geração (detalhe para os cabelos e o furinho no queixo de Robert Smith). Hoje uma busca rápida do Google nos leva apenas a um canal, Cypress Čempr3s, especializado em sonoridades post-punk e darkwave, com um link de uma suposta compilação e o singelo título: Marina Schopenhauer – Compilation (1984 – 1987) AI?
A dúvida, se é que havia, foi logo esquecida no tsunami de informações geradas tanto por pessoas quanto por inteligências artificiais. Mas ontem descobri uma nova cantora artificial: Nina Gray. Desta vez, no entanto, ela é assumidamente uma IA, com canal próprio e quase mil seguidores no momento em que este post está sendo escrito. A canção mais interessante é Temple of No One, com uma letra que consegue sair um pouco do genérico (mas não muito) e oferecer… oferecer o quê, em tempos de eternos remixes e revivals? É uma pergunta que eu gostaria de ver Mark Fisher responder. Quanto a mim, a resposta é mais emocional: tanto Marina quanto Nina me resgatam os anos 1980 e 1990, e é por aí que o poder do algoritmo e as IAs nos conquistam: pela nostalgia. Continuo preferindo as cantoras de carne e osso (eu quase escrevi aqui “as cantoras que existem”, mas estaria cometendo um erro de categorização, pois tudo o que é criado existe, inclusive as inteligências artificiais), mas confesso que essas vozes artificiais e suas canções recicladas me atraem.





