Filmes de Fevereiro

A obsessão de começo de ano encontra o hiperfoco autista e dá continuidade à ideia elaborada no começo do ano, a saber, de tentar ver a média de um filme por dia. Agora as aulas começaram, então é bastante provável que essa média não se mantenha – e além disso, tenho novidades para compartilhar com vocês, coisas que comentei nas redes mas sobre as quais não escrevi aqui. Farei isso nos próximos dias. Por ora, fiquem com a lista de filmes assistidos ao longo de fevereiro, com as devidas observações.

Foram trinta filmes em vinte e nove dias. Ao contrário de janeiro, quando só vimos um filme no cinema, desta vez eu e Patrícia assistimos a quatro: Vidas Passadas, de Celine Song, Pobres Criaturas, de Yorgos Lanthimos, O Melhor está por Vir, de Nanni Moretti (estes dois durante o carnaval) e Anatomia de uma Queda, de Justine Trier. Todos excelentes, com a exceção do filme de Moretti, muito decepcionante para mim, que esperava mais que uma egotrip boba (apesar da ótima ideia). Os demais foram vistos em streamings, a saber: Netflix, Amazon Prime, HBO (Max), Star +, Disney +, MUBI, Criterion Channel. Eis a lista completa, com o título de cada filme seguido do nome do diretor:

A Mulher de Tchaikovsky – Kyrill Serebrennikov
A Matter of Life and Death – Powell e Pressburger
Vidas Passadas – Celine Song (cinema)
O Pálido Olho Azul – Scott Cooper
The Ghost and Mrs. Muir – Joseph L. Mankiewicz
Best Sellers: a Última Turnê – Lina Roessler
Fuga do Passado – Jacques Tourneur
Serpico – Sydney Lumet
Lift – F. Gary Gray
Pobre Criaturas – Yorgos Lanthimos (cinema)
As Marvels – Nia Da Costa
Uma Ponte Longe Demais – Richard Attenborough
Belfast – Kenneth Branagh
O Melhor Está por Vir – Nanni Moretti (cinema)
O Cúmplice das Sombras – Joseph Losey
Dante – Pupi Avati
Anjo do Mal – Samuel Fuller
L’Ombra del Giorno – Giuseppe Picconi
A Noite que Mudou o Pop – Bao Nguyen
Anatomia de uma Queda – Justine Triet (cinema)
O Conde – Pablo Larraín
The Lion in Winter – Anthony Harvey
The Wrong Arm of the Law – Cliff Owen
Einstein e a Bomba – Anthony Philipson
Leonora Addio – Paolo Taviani
Gift Horse – Compton Bennett
Filmed in Supermarionation – Stephen La Rivière
Assassinos da Lua das Flores – Martin Scorsese
A Guerra do Fogo – Jean-Jacques Annaud
Solaris – Steven Soderbergh

Algumas estatísticas:

. Dos 30, apenas quatro foram dirigidos por mulheres (menos do que no mês passado, mas uma porcentagem maior com relação ao total de filmes assistidos no mês)

. Dos 30, eu já tinha visto sete; em pelo menos dois casos (The Lion in Winter e Solaris) eu já havia visto mais de três vezes cada filme.

. Seis desses filmes eram falados em idiomas que não o inglês: um deles em línguas inteiramente inventadas (A Guerra do Fogo, cujo responsável linguístico foi Anthony Burgess), um em russo, três em italiano e dois bilíngues (Vidas Passadas é falado em inglês e coreano, e Anatomia de Uma Queda em inglês e francês, com um pouco de alemão) .

. Não vi nenhum filme brasileiro em fevereiro (mea culpa; mais sobre isso outro dia).

. Vi cinco filmes com Patrícia; todos os que vi no cinema, e Belfast, no streaming)

Os filmes foram listados na ordem em que os assisti/assistimos, sem classificação de qualidade; entretanto, me reservo o direito de recomendar que vejam os que mais gostei e, da mesma maneira, sugerir que passem longe dos que não gostei. A saber:

Os que mais gostei:

. Pobres Criaturas – baseado no livro homônimo do genial escritor escocês Alasdair Gray, esse filme foi fogo no parquinho para Yorgos Lanthimos, mas isso é ótimo, porque ele simplesmente adora provocar incêndios por onde passa.

. Anatomia de uma Queda – um filme de tribunal como há muito eu não via. É o meu favorito para o Oscar até o momento.

. Dante – escolhi esse por questão afetiva. É uma reconstituição de época muito delicada da Idade Média italiana, cerca de vinte anos depois da morte de Dante Alighieri. Giovanni Boccaccio, seu maior fã e defensor, procura a filha de Dante para lhe entregar o perdão de Firenze, concedido postumamente ao poeta exilado. É um filme belo, e isso me basta.

. The Lion in Winter – Vi pela primeira vez esse filme numa madrugada da Globo (sim, as madrugadas desse canal já foram muito boas um dia) e me encantei. É baseado numa peça de teatro do próprio diretor, e as interpretações de Peter O’Toole e Katharine Hepburn são gigantes. Sem contar que é um prazer ver Anthony Hopkins e Timothy Dalton, tão jovens mas já experientes no teatro, em seus primeiros papéis no cinema.

. A Guerra do Fogo – Vi esse filme no cinema, ainda adolescente, e ele me marcou profundamente. É baseado no livro de mesmo nome do escritor franco-belga J.-H. Rosny aîné, e a sua concepção de tribos pré-históricas hoje já está ultrapassada, mas ela ainda é forte e impactante. A criação de idiomas diferentes para cada tribo ou comunidade (obra de Anthony Burgess, escritor e linguista que já tinha bastante experiência pela sua criação do nadsat em Laranja Mecânica; coincidentemente – ou não – eu acabaria traduzindo esse livro muitos anos depois) ajudou a dar credibilidade narrativa a esse filme.

Corra que o filme ruim vem aí:

Fevereiro não foi um mês de filmes constrangedores. Vi algumas comédias britânicas dos anos 1950, que, se não são geniais, cumprem a função de divertir. Filme ruim, ruim mesmo, não vi. Mas não recomendo Best Sellers: a Última Turnê. Michael Caine merecia muito mais do que esse filme coalhado de clichês e que não rende quase nada. Meno male que é o seu penúltimo, e não o último, que ele filmou com Glenda Jackson e ainda não tive a chance de ver.

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