O ano de 2024 se encerrou com uma bela contagem de filmes para mim. Dezembro foi um dos meses mais movimentados, com 29 filmes assistidos. O último mês em que eu tive uma contagem alta foi junho, com 32 filmes. Ainda assim, não posso mesmo me queixar. Aproveitei esse fim de ano e as mais que bem-vindas férias para ver e rever comfort movies, filmes que dão aquele quentinho no coração de que andamos sempre muito precisados. Finalizei a excelente série Women Make Film, de Mark Cousins, que me fez conhecer mais diretoras e seguir firme no propósito de ver cada vez mais filmes dirigidos e/ou roteirizados e/ou protagonizados por mulheres. Dito isso, vejamos a lista:
Duna, parte 1 – Denis Villeneuve
Duna, parte 2 – Denis Villeneuve
Women Make Film, episódio 10 – Mark Cousins
Super/Man: the Christopher Reeve Story – Ian Bonhote, Peter Ettedgui
Women Make Film, episódio 11 – Mark Cousins
Watchmen: The Ultimate Cut – Zack Snyder
Starship Troopers – Paul Verhoeven
Dahomey – Mati Diop
A Única Mulher na Orquestra – Molly O’Brien
Veridiana – Luis Buñuel
Three Wise Girls – William Beaudine
Women Make Film, episódio 12 – Mark Cousins
Widow Clicquot, Thomas Napper
Ainda Estou Aqui – Walter Salles
Intriga Internacional – Alfred Hitchcock
From Darkness to Light – Michael Lurie, Eric Friedler
Women Make Film, episódio 13 – Mark Cousins
Joy- The Birth of IVF – Ben Taylor
Women Make Film, episódio 14 – Mark Cousins
Hot Frosty – Jerry Ciccoritti
O Natal de Costume – Petter Holmsen
Blue Steel – Kathryn Bigelow
Firebrand- Karim Ainouz
Jurado #2 – Clint Eastwood
Casablanca – Michael Curtiz
The Curse of the Werewolf – Terence Fisher
The Connection – Shirley Clarke
O Poderoso Chefão, parte 1 – Francis Ford Coppola
Os Safados – Frank Oz
Estatísticas:
. Dos 29, revi 7. Comecei com “filmes de hominho”, ou seja, basicamente filmes de aventura ou ficção científica dirigidos por homens e centrados em protagonistas masculinos. Comecei com o mais tóxico desses personagens, Paul Atreides, na versão de Duna em duas partes por Denis Villeneuve. Eu já tinha gostado ao ver pela primeira vez, mas agora, vendo um atrás do outro, pude apreciar a grandeza dessa adaptação, que não apenas nada deve ao livro original de Frank Herbert como o atualiza de forma muito coerente. Agora é esperar a adaptação de O Messias de Duna, mas não tenho dúvida de que será tão impressionante à sua maneira quanto Duna. Também revi Watchmen, desta vez no corte do diretor, e devo dizer que gostei bem mais do que quando vi no cinema. Sempre impliquei muito com Zack Snyder, e ainda não acho que ele seja um grande diretor, mas Watchmen foi o ponto alto de sua carreira, que ele nunca mais conseguiu superar, e vamos deixar por isso mesmo.
. Com Patrícia eu vi 6 filmes este mês. Somente um no cinema, mas valeu por vários: o genial Ainda Estou Aqui, que merece todos os prêmios que conseguir ganhar. Vimos na Netflix dois filmes natalinos estilo Hallmark (ou seja, bregas e ruins), mas um deles, que me foi recomendado por amigos escritores dos EUA, valeu a pena: Hot Frosty é um filme sobre um boneco de neve que ganha vida e se apaixona pela mulher que o “ressuscitou”, por assim dizer. Bobinho mas divertido. E de quebra tivemos nossa tradição de fim de ano revendo nossos filmes favoritos: eu com Casablanca, ela com O Poderoso Chefão parte 1.
. Em termos de idiomas: 26 filmes em inglês, 1 em francês (Dahomey), 1 em espanhol (Veridiana) e 1 em português (Ainda Estou Aqui). 2025 é o ano em que pretendo variar bem mais na diversidade linguística.
. Filmes de/por mulheres: como dito acima, encerrei a série Women Make Film com os últimos 5 episódios, e quatro filmes dirigidos por mulheres: Blue Steel, de Kathryn Bigelow, The Connection, de Shirley Clarke, e os documentários Dahomey, de Mati Diop, e A Única Mulher na Orquestra, de Molly O’Brien. Mas além disso, vi os seguintes filmes protagonizados por mulheres: Three Wise Girls, Widow Cliquot, Ainda Estou Aqui, Veridiana, Hot Frosty, Firebrand, Widow Cliquot e Joy. Um total de 17 filmes dos 29 totais, o que dá uma percentagem de 58%.
Os que mais gostei:
. Ainda Estou Aqui. Nem há o que dizer. Esqueçam as polêmicas criadas para gerar engajamento: é uma adaptação do livro de Marcelo Rubens Paiva, e cumpre muito bem suas funções, a de ser fiel à história contada no livro, e de comover profundamente sem ser piegas. É um filme necessário e pronto.
. Dahomey – esse pequeno documentário da diretora franco-senegalesa Mati Diop ganhou o Urso de Ouro em Berlim em 2024, e merecidamente: ele mostra a devolução, pelo governo francês, de artefatos do Benin e sua recepção pelos habitantes desse país africano. O nível de discussão é altíssimo, tanto político quanto filosófico, e vale a pena pelas muitas questões (ainda sem resposta) que levanta.
. The Connection – eu nunca tinha ouvido falar nesse filme até poucos meses atrás. Coincidentemente, ,no dia em que comecei a assisti-lo (via streaming do Criterion Channel), eu estava lendo Sonny Boy, biografia de Al Pacino, num trecho em que ele falava justamente da peça off-off-Broadway do Living Theater que daria origem ao filme. The Connection é considerado um dos primeiros, se não o primeiro, filme com “found footage”: é um pseudodocumentário sobre uma noite na vida de um bando de músicos de jazz viciados em heroína esperando o traficante chegar com a dose do dia. E isso em 1961. É um filmaço, não percam.
Corram que o filme ruim vem aí:
. From Darkness to Light – esse documentário não e ruim, pelo contrário: o problema é que ele é sobre o filme que quase destruiu a carreira de Jerry Lewis, The Day the Clown Cried, sobre o palhaço que anima crianças que vão para a câmara de gás num campo de concentração. A ideia é ótima, mas tudo dependeria de uma série de fatores que acabaram levando o filme a nunca ser finalizado. O doc mostra muitos trechos do filme, e, se formos julgar por eles, o resultado final dificilmente seria bom. Na verdade, há cenas constrangedoras que mesmo uma edição muito bem executada talvez não desse conta de melhorar. Deu pena de Jerry Lewis, mas ao mesmo tempo serve como um alerta: cuidado com seu ego. Quanto maior, mais violenta a queda.
Fechando: vi em 2024 um total de 332 filmes. Gostei demais da experiência, mas como falei na minha Intropectiva pouco tempo atrás, não pretendo repetir esse desafio. O que ainda quero fazer é seguir com o desafio que Patrícia me propôs no meio do ano passado e ver mais filmes feitos por mulheres. Também quero fazer isso com os livros, mas sobre isso eu escrevo outro dia. No mais, um Feliz 2025, com muitos filmes e livros para vocês.









