Filmes de Novembro

Este mês foi mais fraco que outubro (23 filmes), mas bastante satisfatório em termos de escolhas. O desafio, como proposto por Patrícia, continua, e desta vez foi bastante auxiliado por uma série de documentários muito interessantes de Mark Cousins, dos quais eu já tinha visto o primeiro episódio no mês anterior. Talvez eu devesse dizer que na verdade vi 22 filmes, pois não vi Megalopolis até o fim. Contudo, como eu e Patrícia saímos do cinema aos 60 minutos cravados, dou como visto porque sim, e vou falar (mal) dele mais embaixo. Vamos então aos filmes:

Women Make Film, episódio 2 – Mark Cousins
The Light That Failed – William A. Wellmann
Women Make Film, episódio 3 – Mark Cousins
Megalopolis – Francis Ford Coppola
Women Make Film, episódio 4 – Mark Cousins
The Linguini Incident – Richard Shepard
They Drive by Night – Raoul Walsh
Women Make Film, episódio 5 – Mark Cousins
A Substância – Coralie Fargeat
O Criado – Joseph Losey
Women Make Film, episódio 6 – Mark Cousins
The Sense of an Ending – Ritesh Batra
Blithe Spirit – David Lean
Women Make Film, episódio 7 – Mark Cousins
Miss Fisher and the Crypt of Tears – Tony Tilse
Between a Frock and a Hard Place – Alex Barry, Paul Clarke
L’Ombra di Caravaggio – Michele Placido
Women Make Film, episódio 8 – Mark Cousins
Alien: Romulus – Fede Alvarez
Women Make Film, episódio 9 – Mark Cousins – 300
Blitz – Steve McQueen
Larisa – Elem Klimov
O Dia do Chacal – Fred Zinnemann

Estatísticas:

. Dos 23, eu só havia visto antes um filme, que foi o último. Na adolescência li O Dia do Chacal, de Frederick Forsyth, e adorei. Pouco depois vi o filme numa madrugada da Globo, mas não lembrava até que ponto era fiel ao livro. É muito fiel, com a exceção da penúltima cena, da morte do Chacal, feita para ser violenta e chocante mas que hoje achei muito exagerada. De resto, foi muito bom ter visto os filmes deste mês pela primeira vez, e sei que para vários deles não será a última.

. Só vi um filme com Patrícia, e também um filme somente no cinema: foi justamente o famigerado Megalopolis. Achamos tão ruim que saímos antes da metade.

. Idiomas: foi um dos meses mais fracos, talvez o mais fraco de todos. 21 filmes em inglês, um em italiano e um documentário em russo. Quero voltar a ver mais filmes em outros idiomas: isso está na lista para 2025.

. Em termos de filmes de/por mulheres, a série de docs Women Make Film é genial e eu recomendo fortemente. Apesar de dirigida e roteirizada por um homem, o trabalho de Mark Cousins (que inclusive esteve este ano aqui no Brasil) vale muito a pena, pois é um pesquisador muito interessado em fornecer perspectivas não-hegemônicas para o cinema, e ele faz isso muito bem nessa série. Foi com essa série que conheci várias diretoras, cuja cinematografia estou começando a ver agora. No total, foram 8 desses documentários, mais quatro filmes protagonizados por mulheres (The Linguini Incident, A Substância, Miss Fisher e Larisa), sendo um total de 12 entre 23 e uma percentagem de 52%.

Os que mais gostei:

. Toda a série de documentários Women Make Film. Não vou parar de elogiar essa série pela quantidade de diretoras que apresenta. Deverei falar muito a respeito dos desdobramentos disso nos próximos meses.

. The Linguini Incident – esse filme andou sumido por anos e agora voltou num corte especial do diretor, trinta anos depois. Os protagonistas são Rosana Arquette e David Bowie, numa comedinha nonsense muito bonitinha num ambiente super descolê de Nova York do começo dos anos 1990: o que há para não gostar? Para a minha geração, esse teria sido um filme cult, mas eu só fiquei sabendo de sua existência há uma década, porque se passou nos cinemas brasileiros passou batido. Não sei se a galera mais jovem vai gostar; desconfio que não. Mas eu gostei, e é isso o que importa aqui.

. Larisa – esse documentário póstumo da grande diretora soviética, feito por seu marido, o diretor do genial Vá e Veja, me fez chorar. Larisa Shepitko foi uma diretora tão genial quanto Elem Klimov, talvez mais. Comecei a ver seu filme mais famoso, A Ascensão, mas parei na metade e pretendo rever do começo em dezembro. Mas já digo que é um filmaço de II Guerra Mundial.

Corram que o filme ruim vem aí:

. MEGALÓPOLIS – este mês foi muito bom porque não vi nenhum filme realmente ruim, a não ser o misto de acidente aéreo com terrestre (e naval) que é esse descarrilhamento de cinematografia. Continuo adorando Coppola, e admiro muito o sujeito pela coragem e desfaçatez de ligar o mais absoluto FODA-SE para todo mundo, inclusive a audiência, no que desconfio ter sido a trollagem mais cara da história. Eu e Patrícia detestamos, não só pelo roteiro excessivamente didático e bastante desconjuntado e irregular em termos de timing e atuações como também pelo assalto aos sentidos, o que infelizmente fez com que nós dois (eu autista e ela com transtorno de processamento sensorial) começássemos a passar mal numa cena de festa aos sessenta minutos de filme, o que nos fez sair quase correndo da sala. Não fosse isso eu teria ficado até o fim, mas a experiência como um todo foi bastante ruim para mim. Honestamente, embora eu pense em arriscar de novo uma olhada quando for para o streaming, não sei se vou fazer isso.

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