Filmes de Maio

Fechei maio com 28 filmes assistidos. Nada mal pra quem vive de assistir filme picotado: não sei se expliquei direito no post dos filmes de março, mas eu costumo parar no meio de um filme por qualquer motivo que me dê na telha, e aí retomo no dia seguinte. Claro, tem dias em que não consigo retomar, mas quase sempre eu compenso. Comecei junho já vendo dois no mesmo dia – mas sobre isso eu falo quando chegar a hora. Os filmes de maio são estes:

O Franco-atirador – Michael Cimino
Crítico – Kleber Mendonça Filho
O Sabor da Vida – Tran Anh Hung (cinema)
Os Segredos dos Neandertais – Ashley Gething
Life – Anton Corbijn
Expresso para o Inferno – Andrei Konchalovsky
Ó Pai ó 2 – Viviane Ferreira
Le Chant du Loup – Antonin Baudry
In the Land of Saints and Sinners – Robert Lorenz
Squaring the Circle (the story of Hipgnosis) – Anton Corbijn
O Planeta dos Macacos – A Origem – Rupert Wyatt
Planeta dos Macacos – o Confronto – Matt Reeves
The Physician – Phillip Stoltz
Planeta dos Macacos – a Guerra – Matt Reeves
Loving Highsmith- Eva Vitija
Carol – Todd Haynes
Planeta dos Macacos (1968) – Franklin J. Schaffner
O Cair das Folhas – Alice Guy-Blaché
The Beekeeper – David Ayer
De Volta ao Planeta dos Macacos – Ted Post
Fuga do Planeta dos Macacos – Paul Dehn
Madame Web – S. J. Clarkson
Tokyo-Ga – Wim Wenders
A Conquista do Planeta dos Macacos – J. Lee Thompson
A Batalha do Planeta dos Macacos- J. Lee Thompson
The Great Magician – Derek Yee
Heaven’s Gate – Michael Cimino
Repeat Performance- Alfred L. Werker

Estatísticas:

. Dos 28, cinco foram dirigidos por mulheres. Teve de um tudo: dois documentários, dois longas e o único curta até o momento. Curtas não são o objetivo deste projeto, mas coloquei aqui porque foi um da pioneira Alice Guy-Blaché, então está mais do que valendo. No mais, foi no mínimo curioso (estou sendo irônico) perceber que Madame Web não foi um filme tão ruim assim (é fraco, mas não é constrangedor), e que a crítica completamente devastadora que li meses atrás provavelmente foi escrita por um misógino. Então que se foda, né?

. Dos 28, eu já havia assistido exatamente 10, entre os quais todos os da saga do Planeta dos Macacos, tanto os originais quanto os novos, e o genial Portal do Paraíso (Heaven’s Gate), pelo qual Michael Cimino foi tão injustamente massacrado. Agora percebo que nunca coloquei esse filme na minha lista de dez mais, mas na verdade ele sempre esteve lá, desde que o vi pela primeira vez ainda na adolescência, numa madrugada da Globo. Desde então, revi pouco (não mais que cinco vezes), mas agora ele vai entrar para a minha relação de filmes a ver pelo menos uma vez por ano, como Casablanca e Lawrence da Arábia.

. Eu assisti apenas um filme com Patrícia no mês de maio: o belíssimo O Sabor da Vida, com Juliette Binoche. O filme traz um tema caro ao diretor, o mesmo do lindo O Cheiro do Papaia Verde, e também a nós dois: a culinária. É filme pra sair do cinema não só com fome, mas também com vontade de cozinhar – e é o que eu tenho feito este mês. Ainda estou muito longe do ideal, mas eu chego lá.

. Apenas seis filmes são falados em idiomas que não o inglês: um em português, um em japonês/alemão/inglês, outro em inglês/francês/português dois em francês e um em mandarim.

. Dois filmes brasileiros: Ó Pai Ó 2 e Crítico.

Como nos demais meses, os filmes foram listados na ordem em que os assisti, sem classificação de qualidade; entretanto, me reservo o direito de recomendar que vejam os que mais gostei e, da mesma maneira, sugerir que passem longe dos que não gostei. A saber:

Os que mais gostei:

. O Franco-Atirador – eu nunca tinha visto esse filme até mês passado. E me arrependi por não tê-lo visto antes. Michael Cimino foi um diretor genial – e genioso, como muitos, o que não facilitou a passagem dele por Hollywood e por este mundo e, desconfio, ajudou a fazer com que os filmes dele sejam imensamente subestimados.

. Crítico – esse documentário que o Kleber Mendonça Filho fez antes de seus longas é uma inspiração. Revi mais duas vezes este mês, porque tive que passar para minhas turmas de oficina de texto jornalístico na faculdade. Fundamental para quem realmente gosta de cinema.

. O Sabor da Vida – pelos motivos elencados mais acima. Se não der pra ver no cinema, não percam quando chegar ao streaming.

. Squaring the Circle – Anton Corbijn é um diretor do qual eu gosto praticamente de tudo. Este documentário, sobre a história do duo de designers Hipgnosis, responsável pela clássica capa de The Dark Side of the Moon (e de quase tudo do Pink Floyd nos anos 1970 e 1980, além de Led Zeppelin e uma porrada de outros grupos da época) é um deslumbre. Como alguém que é uma negação como designer mas adora todo o processo de criação dos designers, fiquei absolutamente fascinado. Vale muito a pena.

. Repeat Performance – esse é um filme do qual eu não sabia absolutamente nada até ler a crítica do meu amigo Sylvio Gonçalves no Facebook. Fui conferir no Criterion Channel: esse filme de 1947 é um honradíssimo precursor da série Além da Imaginação. É um roteiro quase perfeito, e entre os atores está um Richard Basehart novinho, em seu primeiro papel, que é considerado uma das interpretações de personagens queer mais delicadas e comoventes daquela época, e eu concordo.

. Heaven’s Gate – fecho com Michael Cimino novamente. Aliás, se não fosse pelo filme acima, eu teria começado a encerrado o mês com Cimino e estaria muito bem pago. Esse filme desbancou Blade Runner nos meus Top 3, e agora está no pódio com Casablanca e Lawrence da Arábia – todos os três histórias de homens que lutaram mas só conheceram o fracasso. Faz um certo sentido eu gostar tanto desses filmes, mas sobre isso eu falo com meu analista outro dia.

Corra que o filme ruim vem aí:

Maio foi ainda melhor que abril: muito filme bom, alguns filmes-pipoca (além de Madame Web, The Beekeeper é bacana, uma tentativa bem interessante de Jason Statham virar um novo John Wick) e somente um filme que eu classificaria como constrangedor. Infelizmente é um filme brasileiro. Ó Pai Ó 2 é uma daquelas sequências que não precisavam existir. Não tem um décimo da potência do primeiro (que ainda me faz pular da cadeira e dançar), e parece ser feito como uma ação entre amigos. Por esse motivo, e somente por esse motivo, eu acho que o filme é válido. Porque resgata do anonimato muitos atores que participaram do primeiro filme. Então deixemos como está.

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