Em março vi menos filmes que nos dois meses anteriores: 29. Não lembro se expliquei meu método aqui nas postagens de janeiro e fevereiro: nem sempre consigo ver um filme por dia, às vezes por cansaço, outras pelo TDAH, que me leva a parar um filme no meio e sair procurando outros no catálogo. Ao contrário do que possa parecer, não faço isso por achar o filme chato. Muitas vezes o filme é incrível e eu estou adorando, mas a mente autista não para de trabalhar furiosamente, e eu me pego pensando que outros filmes incríveis estarão à minha espera nos catálogos dos streamings que assino, e aí danou-se: preciso parar tudo e procurar na hora. Sem contar as inúmeras vezes em que estou vendo um filme, me deparo com uma atriz ou ator de quem gosto muito e sinto uma vontade irreprimível de consultar a web para saber se ela ou ela ainda estão vivos e o que mais fizeram depois do filme em questão.
Mas já estou me alongando demais. Com vocês, os filmes que vi em março:
Flash Gordon – Mike Hodges
Duna parte 1 – Denis Villeneuve
Aquaman – James Wan
Duna parte 2 – Denis Villeneuve (cinema)
The First of the Few – Leslie Howard
Carrington V.C. – Anthony Asquith
Napoleon – Ridley Scott
Wonka – Paul King
American Fiction – Cord Jefferson
A Fantástica Fábrica de Chocolate- Mel Stuart
The Long Arm – Charles Frend
007 contra o Homem da Pistola de Ouro – Guy Hamilton
The Outfit – Graham Moore
Bronson – Nicolas Winding Refn
The GENTLEMEN – Guy Ritchie
Esquema de Risco: Operação Fortune – Guy Ritchie
Cabaret – Bob Fosse
Infiltrado – Guy Ritchie
Uma Vida – James Hawes (cinema)
Cinzas e Diamantes – Andrzjei Wajda
A Última Viagem do Demeter – Andre Øvredal
Holy Spider- Ali Abbasi
Gothic – Ken Russell
Savage Messiah – Ken Russell
Hell on Earth: the Desecration and resurrection of THE DEVILS – Paul Joyce
All of Us Strangers – Andrew Haigh (cinema)
24-Hour Party People – Michael Winterbottom
Finding Vivian Maier – John Maloof e Charlie Siskel
The Boy Friend – Ken Russell
As estatísticas:
. Dos 29, nenhum foi dirigido por uma mulher. Como falei antes em outro lugar, tenho andado mais atento a isso. Não vou parar de ver filmes dirigidos por homens, mas tenho sentido mais vontade de ver filmes de cineastas mulheres, e isso está se provando uma tarefa mais difícil do que eu imaginava, em particular porque poucos streamings hospedam uma produção feminina grande. O garimpo tem que ser intenso.
. Dos 29, eu já havia assistido oito. Uma curiosidade: 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro foi o primeiro filme de James Bond que vi no cinema. Fui com meu pai (uma das raríssimas vezes em que fomos ao cinema juntos) num dia de semana no centro do Rio, porque eu havia passado de ano e ele queria me dar um presente. (Valeu, pai.) Desses, o filme que mais vezes vi foi Gothic, que ainda é meu favorito de Ken Russell.
. Somente dois filmes dessa leva eram falados em idiomas que não o inglês: Cinzas e Diamantes (polonês) e Holy Spider (farsi). É pouco.
. Absolutamente nenhum filme brasileiro (o que honestamente é um desaforo).
. Vi três filmes com Patrícia: American Fiction (no streaming), Uma Vida e All of Us Strangers no cinema.
. Como nos outros meses, os filmes foram listados na ordem em que os assisti/assistimos, sem classificação de qualidade; entretanto, me reservo o direito de recomendar que vejam os que mais gostei e, da mesma maneira, sugerir que passem longe dos que não gostei. A saber:
Os que mais gostei:
. Duna – aqui eu coloco os dois como o único filme que efetivamente são. Só consegui ver a segunda parte no cinema, e foi um deslumbre.
. American Fiction – é uma porrada na cara da branquitude. Também foi o filme em que descobri que Jeffrey Wright (ou pelo menos seu personagem no filme) é autista, e faz umas caras idênticas às minhas quando confrontado com situações esdrúxulas. Também me fez começar a ler Percival Everett, e só isso já teria valido a pena.
. Holy Spider – um tremendo filme, muito necessário e imensamente triste porque retrata uma situação que não acontece só no Irã, mas no mundo todo. Feminicídio é uma praga, e para sermos bem francos todo o gênero masculino é uma praga.
. Flash Gordon – da série “é tão ruim que é bom”. Sério, é ruim. Mas é um espetáculo deslumbrante de camp e más atuações, tão ruim que o ponteiro dá a volta e chega próximo do genial. Se você nunca viu e estiver a fim de se maravilhar e dar boas risadas com um filme que não foi feito para ser engraçado, vá em frente sem nenhuma culpa.
Corra que o filme ruim vem aí:
. Aquaman – quanto menos se disser a respeito, melhor.
O resto não comprometeu: alguns filmes britânicos de propaganda da Segunda Guerra, um documentário bacana sobre a fotógrafa Vivian Maier e um filme interessante que eu deveria ter recomendado mais acima, The Outfit, com um dos meus atores favoritos, Mark Rylance.

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